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Propaganda é comércio
Muito se fala que propaganda é
a alma do negócio e que se você, empresário,
não anunciar, vai se “estrumbicar”, como diria
o pitoresco jargão. Preferimos acreditar que este conceito
seja mais uma crença enraizada do que de má-fé.
Folclores à parte, a propaganda é extremamente importante.
Entretanto, se o seu produto, serviço ou projeto não
tiver alma, o peixe morre pela boca. O consumidor está cada
vez mais educado, ciente e sabedor do que quer. Ótimo para
ele, péssimo para aquele executivo que insiste em tapar os
olhos e os ouvidos para os movimentos irreversíveis da globalização,
o acirramento da competição, a evolução
irreversível da tecnologia da informação e
da Internet, o aumento do número de opções,
a segmentação de mercado e o famigerado Código
de Defesa do Consumidor.
Estou falando daquele empresário/executivo
que ainda pensa que é ele quem engana o consumidor e acha
que este, passível a tudo, sempre voltará com o rabo
entre as pernas, fingindo ter esquecido sua última experiência
negativa. Bem, isto está mudando muito graças à
Internet.
Cada vez mais empresas buscam serviços de consultoria para
remediar o estrago causado pelo não acompanhamento das tendências.
É nesta hora que o consumidor dá risada. Afinal, outro
fornecedor aparece amanhã oferecendo os mesmos produtos ou
serviços, com mais qualidade e a preços mais justos.
Pouquíssimos desses executivos sobreviveriam fora do País
com a mentalidade atual.
Publicitários glamourosos (os poucos que ainda insistem em
sobreviver), que nos perdoem, mas o allure de outras épocas,
onde tudo era justificado pela construção de uma boa
imagem, tende a acabar. Reflexos da nova era. A era do consumidor
ativo, alimentado pela informação e pela facilidade
de comparação. Branding, concordo, é o elixir
de sobrevivência da empresa no longo prazo. Mas só
ele não basta.
Propaganda é cada vez mais comércio. Criatividade
sim, mas definitivamente alinhada com a estratégia da empresa,
que deve estar alinhada ao perfil do consumidor-alvo de seus produtos/serviços/idéias.
Propaganda e as demais ferramentas da comunicação,
como promoção, merchandising e Relações
Públicas, devem ser traduzidas em números, resultados,
seja de vendas, seja de intenção de compra –
esta intrínseca ao recall da marca (reparem a diferença
desses dois indicadores).
Na Internet, tudo fica mais claro, mais aberto, mais rico. A propaganda
online, por mais incipiente que seja, hoje, será o catalisador
da convergência de mídias de amanhã. É
aí o jogo começa. Aí a experiência do
consumidor será o fator determinante e as empresas, então,
serão de fato testadas. Com a inversão de poderes
de decisão trazida pela tecnologia, o consumidor escolhe
marcas, escolhe opções, escolhe horários. Ele
dá ou não o direito de uma marca aparecer para ele.
Pense bem. Não é mais apenas a agência ou seu
departamento de marketing os responsáveis pela construção
de sua imagem. Construir uma marca é tarefa das mais árduas,
pois não admite o erro e nem se dá em uma tacada só.
Construir uma marca é, portanto, obrigação
do marketing, da administração, do pessoal do atendimento,
de toda empresa. É consequência dos resultados positivos
sob a percepção do cliente. E, como dizemos, a Internet
potencializa isso sobremaneira.
Duvida? Então pergunte ao consumidor qual é o primeiro
lugar onde ele procura informações sobre uma empresa
com quem ainda não tem um processo de relacionamento contínuo?
No Web site, é claro.
Propaganda de massa, em quase todos os mercados, tende a se tornar
ineficiente. Aliás, porque quase não há mais
mercados onde há massa. Nesses mercados, há pessoas
(e os políticos têm sentido isto na pele... ou nas
urnas). Para atingir o seu target, você precisa de estratégias
de marketing de relacionamento e de operações de serviços
bem estruturadas, entregando qualidade com justiça. Para
nós, esta é a melhor forma de sua empresa usar a boca,
ou seja, apoiar-se naquilo que realmente é sua razão
de ser: a sua alma.
Quantos empresários negligenciaram as necessidades e expectativas
de seus clientes, preocupando-se apenas com sua falsa imagem? É
a velha história do castelo de areia na praia: você
constrói, vende e revende sem ter background; a água
vem e derruba tudo.
Podíamos fazer aqui uma retrospectiva e citar inúmeras
empresas que explodiram, para depois implodir. As pontocom sabem
bem disso. O sucesso é, para quem não sabe, uma virtude
de longo prazo.
Para quem não tem o que oferecer (ou pior, apenas acha que
tem), auê não gera nada além de desilusões
e insatisfações de expectativas nos clientes. Você
já parou para averiguar quantos clientes de uma viagem só
já teve? Pensou nas chances perdidas de fidelizá-los
e assim manter seu negócio operando. Responda: Quanto você
conhece sobre o seu cliente ou quanto você usa a Internet
e outros meios de contato e comunicação com esse fim?
Já está mais do que na hora de a iniciativa privada
virar atividade profissional – e não plano de aventureiros.
Os verdadeiros profissionais, aqueles com alma, sabem do que estamos
falando. E ainda bem que eles existem!
Fonte:
Daniel Domeneghetti / http://idgnow.terra.com.br/webworld/
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